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Resumos Científicos

Roundup Ready soybeans in Argentina: farm level and aggregate welfare affects. M. Qaim & G. Traxler. Agricultural Economics, 32: 73-86, 2005.

Nesse artigo os autores analisam os efeitos da soja RR na Argentina, o país com a segunda maior área cultivada com transgênicos no mundo. Baseados em dados recentes, os autores mostram que a tecnologia aumentou o fator de produtividade total em cerca de 10%, com economia de custos mais pronunciada para pequenos agricultores do que para os grandes. A redução no uso de herbicidas de alta toxicidade e operações de aração tiveram repercussões ambientais positivas. Efeitos agregados de bem estar foram computados de 1996 a 2001 em três regiões, abrangendo Argentina, Estados Unidos e o resto do mundo. Em 2001 a soja RR criou mais de US$ 1,2 bilhão de excedentes em escala mundial. A maior parte ficou para os consumidores (53%), seguidos por empresas de sementes e biotecnologia (34%) e produtores agrícolas (13%). Devido à relativamente fraca observação dos direitos de propriedade intelectual e ampla adoção, aliados à pouca elevação no preço das sementes, sojicultores argentinos receberam 90% dos benefícios advindos do emprego da tecnologia. Isso demonstra que agricultores de países em desenvolvimento podem ganhar consideravelmente quando obtêm acesso às inovações tecnológicas adequadas.


Diversidade de artrópodes capturados em lavoura de soja transgênica e de soja convencional por meio de armadilhas. Teston, J.A., M.L. da Silva, A.D. de Freitas, A. Henriques, M. de M. Lima & LG.E. Vieira. In: XX Congresso Brasileiro de Entomologia, Gramado (RS), Brasil, pág. 256. 2004.

Em ensaio de campo conduzido em Cruz Alta (RS), comparou-se a diversidade de artrópodes em soja RR e convencional, através do emprego de armadilhas amarelas com água. Na área com soja RR procedeu-se à aplicação de glifosato em pós-emergência para o controle de plantas daninhas. Na soja convencional foram capturadas 36 espécies de artrópodes (total de 466 indivíduos), ao passo que na soja RR foram capturadas 34 espécies (374 indivíduos). Não foram detectadas diferenças significativas na abundância das 15 espécies comuns às duas comunidades. Os autores creditam a diferença da diversidade à possível coleta de um grande número de espécies acidentais.

Resumo: Marcos Rodrigues de Faria - Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.


Ribozyme termination of RNA transcripts down-regulate seed fatty acid genes in transgenic soybean. Buhr, T.; Sato, S.; Ebrahim, F.; Xing, A.; Zhou, Y.; Mathiesen, M.; Schweiger, B.; Kinney, A.; Staswick, P.; Clemente, T. The Plant Journal, vol. 30(2), pp. 155-163, 2002.

Foram transformadas plantas de soja com um gene que impede a expressão dos genes FatB tioesterase e FAD2-1 desaturase de soja. A inibição do gene FatB pode resultar na diminuição dos níveis de ácidos graxos saturados, enquanto a inibição do gene FAD2-1 resulta em elevados níveis de oleato e uma redução nos ácidos graxos poliinsaturados. Um alto nível de óleo oleato é uma característica desejável, pois possui benefícios à saúde, aumento do valor econômico e aumento de aplicações industriais. Como resultado, foram obtidos transformantes de soja com níveis de ácido oléico entre 57% e 91%, comparado com os 18% do não transformado. Cinco linhas transformantes de soja apresentaram níveis de ácido oléico maiores de 85% e níveis de ácidos graxos saturados menores que 6%. Os níveis de ácido linoleico e linolênico nestes cinco transformantes foram de 1-2% e 2-5%, respectivamente. Dntre os óleos comestíveis, o óleo de oliva possui a maior fração de ácido oléico (cerca de 78%), tendo cerca de 6% de ácido linoleico e somente traços de ácido linolenico.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


Soybean meal from Roundup Ready or conventional soybeans in diets for growing-finishing swine. Cromwell, G.L.; Lindemann, M.D.; Randolph, G.H.; Parker, G.R.; Coffey, R.D.; Laurent, K.M.; Armstrong, C.L.; Mikel, W.B.; Stanisiewski, E.P.; Hartnell, G.F. Journal of Animal Science vol. 80, pp. 708-715, 2002.

Avaliou-se nesse trabalho, comparativamente, o uso da soja tolerante ao herbicida glifosato (soja Roundup Ready) e de um cultivar de soja convencional na alimentação de porcos. As análises indicaram que a composição das duas cultivares foi similar (considerando perfil de aminoácidos, fósforo, cálcio, fibra e gordura). O ganho de peso dos animais a partir da alimentação com rações contendo os dois tipos de soja não apresentou diferenças. Carcaças foram avaliadas por ultra-sonografia e não foram verificadas diferenças entre animais que consumiram soja GM e soja convencional. Os resultados deste estudo, claramente, indicam que a soja RR e convencional são essencialmente equivalentes na composição e no valor nutricional para o crescimento e para a performance de suínos.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


Determining whether transgenic and endogenous plant DNA and transgenic protein are detectable in muscle from swine fed Roundup Ready soybean meal. Jennings, J.C.; Kolwyck, D.C.; Kays, S.B.; Whetsell, A.J.; Surber, J.B.; Cromwell, G.L.; Lirette, R.P.; Glenn, K.C. Journal of Animal Science, vol. 81, pp. 1447-1455, 2003.

A soja Roundup Ready foi desenvolvida pela inserção de um gene de bactéria em seu genoma, tornando-a tolerante ao herbicida glifosato. A principal fonte de proteína na alimentação de aves e suínos é a soja. Portanto, neste estudo os pesquisadores utilizaram métodos muito sensíveis para detectar, em carnes de porcos alimentados com a soja RR e soja convencional (não transgênica), fragmentos do transgene, do DNA de plantas e da proteína transgênica expressa. Os pesquisadores concluíram que as amostras de lombo coletadas dos porcos não continham nenhum fragmento da soja RR ou da proteína transgênica.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


A comparative study of the allergenic potency of wild-type and glyphosate-tolerant gene-modified soybean cultivars. Sten, E.; Skov, P.S.; Andersen, S.B.; Torp, A.M.; Olesen, A.; Bindslev-Jensen, Ulla; Poulsen, L.K.; Bindslev-Jensn, C. APMIS, vol. 112, pp. 21-28, 2004.

A maioria dos produtos geneticamente modificados desenvolvidos hoje compreende importantes cultivares de milho, algodão e soja. Neste trabalho, os pesquisadores tiveram como objetivo verificar se a inserção de um gene pode influenciar a alergenicidade intrínseca da soja. Pacientes alérgicos às proteínas de soja foram utilizados para análises sorológicas e biológicas. Foram utilizados dois grupos de soja, um com soja não transgênica e outro com soja transgênica, contendo o gene CP4 EPSPS - o qual confere tolerância ao herbicida glifosato e três métodos para se verificar e comparar a alergenicidade entre os dois grupos de soja nos pacientes. Todos os três métodos mostraram variações no potencial alergênico entre os extratos dos pacientes, mas o potencial alergênico não foi afetado pela presença do transgene. Com os métodos empregados neste trabalho, não foi possível detectar qualquer diferença significante do potencial alergênico entre a soja não transgênica e transgênica.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


Field evaluation of soybean engineered with a synthetic cry1Ac transgene for resistance to corn earworm, soybean looper, velvetbean caterpillar (Lepidoptera: Noctuidae), and lesser cornstalk borer (Lepidoptera: Pyralidae). Walker, D.R., J.N. All, R.M. McPherson, H.R. Boerma & W.A. Parrott. Journal of Economic Entomology 93: 613-622, 2000.

Linhagem transgênica de soja expressando um gene sintético Cry1Ac de Bacillus thuringiensis variedade kurstaki foi avaliada para resistência a quatro lepidópteros-praga. As plantas foram mantidas no campo no interior de gaiolas, onde foram introduzidas lagartas de Helicoverpa zea, Anticarsia gemmatalis ou Pseudoplusia includens. Comparada à soja convencional, a soja transgênica apresentou grau de desfolhamento por H. zea de três a cinco vezes menor e foi de oito a nove vezes menos danificada por A. gemmatalis. A resistência demonstrada às lagartas de P. includens foi menor que nos casos anteriores, mas ainda apreciável. A soja transgênica foi quatro vezes mais resistente à infestação natural por Elasmopalpus lignosellus que o isogênico convencional.

Resumo: Marcos Rodrigues de Faria - Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.


Increased digestibility of two products in genetically modified food (CP4-EPSPS and Cry1Ab) after preheating. Okunuki, H.; Teshima, R.; Shigeta, T.; Sakushima, J.; Akiyama, H.; Goda, Y.; Toyoda, M.; Sawada, J. J. Food Hyg. Soc. Japan, vol. 43, 68-73, 2002.

Para avaliar a alergenicidade dos componentes alimentares derivados da modificação biotecnológica, pesquisadores do Japão avaliaram in vitro a expressão das proteínas EPSPS (presente em uma soja geneticamente modificada) e da Cry1Ab (presente em um tipo de milho geneticamente modificado) utilizando FGS (fluido gástrico simulado) e FIS (fluido intestinal simulado). Os alergenos alimentares exibem estabilidade gástrica, então a estabilidade a digestão é um parâmetro significante que distingue os alergenos dos não alergenos. Além disso, cereais são usualmente pré-aquecidos antes da ingestão. Portanto, neste trabalho foram examinados as mudanças de digestibilidade por pré-aquecimento.
Primeiro, os pesquisadores examinaram a digestibilidade das proteínas EPSPS e Cry1Ab por FGS e as duas proteínas foram rapidamente digeridas em 60 segundos e, mesmo obtendo os extratos da soja e do milho geneticamente modificados, o tempo de digestão foi sempre o mesmo. Para o FIS, o tempo de digestibilidade das proteínas purificadas, como para o extrato oriundo das plantas geneticamente modificadas, foi de 240 minutos ou mais. Entretanto, a digestibilidade destas proteínas por FIS foi dramaticamente aumentada pelo pré-aquecimento e o tempo de digestão foi menos de 5 segundos. Dos resultados, foi concluído pelos pesquisadores que a digestibilidade foi aumentada pelo pré-aquecimento. Além disso, foi concluído que a alergenicidade de ambas as proteínas deverá ser extremamente baixa em virtude da fácil digestibilidade destas proteínas por FGS e também por FIS com o pré-aquecimento.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


A generational study of glyphosate-tolerant soybeans on mouse fetal, postnatal, pubertal and adult testicular development. Brake, D.G.; Evenson, D.P. Food and Chemical Toxicology, vol. 42, 29-36, 2004.

Neste trabalho foi estudada a soja transgênica RR, tolerante ao herbicida glifosato. Ratas grávidas foram alimentadas com esta soja GM durante a gestação e lactação, os filhotes machos foram alimentados com a referida soja e depois de 8, 16, 26, 32, 63 e 87 dias após o nascimento, três machos eram sacrificados, os testículos removidos cirurgicamente e as células analisadas. Os resultados mostraram que os ratos alimentados com a soja transgênica não têm diferença na síntese ou crescimento de células com relação aos alimentados com soja não transgênica. Também não foi verificada diferença no peso do corpo entre estes dois grupos. Foi concluído neste trabalho que a dieta com a soja transgênica não tem nenhum efeito negativo no desenvolvimento testicular no feto, no pós-nascimento, na puberdade ou em ratos adultos.

Resumo: Victor Augustus Marin - Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


Assessing the survival of transgenic plant DNA in the human gastrointestinal tract. Netherwood, T., Martín-Orúe, SM., O´Donnell, AG., Gockling, S., Graham, J., Mathers, JC., Gilbert, HJ. Nature Biotechnology, 22 (2), 204-209, 2004.

Estudou-se a "sobrevivência" do transgene EPSPS de soja no intestino delgado de humanos que se submeteram a ileostomia (cirurgia que desvia o conteúdo do íleo para uma bolsa externa). Os testes foram realizados com auxílio de PCR quantitativo. A quantidade de transgene que sobrevive às condições intestinais varia entre os indivíduos até um máximo de 3,7%. Três entre sete indivíduos apresentaram evidência de baixa freqüência de transferência do gene de EPSPS para a microflora intestinal antes do envolvimento deles no experimento. Como esse baixo nível de EPSPS na microflora intestinal não aumenta após o consumo de refeição contendo soja GM (soja RR tolerante ao herbicida glifosato), os autores concluem que não ocorreu a transferência do gene durante o experimento.

Resumo: Flávio Finardi Filho é formado em Farmácia e mestre e doutor em Ciência dos Alimentos pela Universidade de São Paulo (USP). É professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.


The 5-enolpyruvylshikimate-3-phosphate synthase of glyphosate-tolerant soybean expressed in Escherichia coli shows no severe allergenicity. Chang, H. S.; Kim, N.H.; Park, M.J.; Lim, S.K.; Kim, S.C.; Kim, J.Y.; Kim, J.A.; Oh, H.Y.; Lee, C.H.; Huh, K.; Jeong, T.C.; Nam, D.H. Mol. Cells, vol. 15, 20-26, 2003.

Pesquisadores da Coréia e dos Estados Unidos usaram a proteína produzida pelo gene que codifica para a tolerância ao herbicida glifosato (denominada EPSPS) e a testaram na digestibilidade, experimentos in vivo, ex vivo como também in vitro em ratos. De todos os resultados obtidos, os testes com a proteína EPSPS foram negativos e os autores concluíram que o potencial alergênico desta proteína é muito baixo.

Resumo: Victor Augustus Marin – Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


Effects of transgenic herbicide-resistant soybean varieties and systems on surface-active springtails (Entognatha: Collembola). Bitzer, R.J., L.D. Buckelew & L.P. Pedigo. Environmental Entomology 31: 449-461, 2002.

O grau de abundância e diversidade de insetos da ordem Collembola é normalmente empregado como indicador da extensão dos distúrbios causados por diversas práticas agrícolas. Neste estudo examinou-se, ao longo de três safras, o efeito de variedades de soja (convencionais e tolerantes a herbicida) e dos sistemas associados de manejo de ervas daninhas, sobre a abundância de 21 espécies de colêmbolas habitantes da camada superficial do solo. Onde herbicidas específicos foram aplicados às variedades tolerantes correspondentes, o número de colêmbolas foi similar ou superior às parcelas convencionais, sugerindo que, a curto prazo, a aplicação repetida de herbicidas em soja transgênica não reduz o número destes insetos.

Resumo: Marcos Rodrigues de Faria - Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia


Detection of transgenic DNA in milk from cows receiving herbicide tolerant (CP4EPSPS) soybean meal. Phipps, R.H.; Beever, D.E.; Humphries, D.J. Livestock Production Science, vol. 74, 269-273, 2002.

O objetivo deste trabalho, de pesquisadores do Reino Unido, foi o de verificar se o gene da soja RR seria identificado no leite de vacas alimentadas com a mesma. Os animais receberam soja GM na ração de 4 a 12 semanas e foram analisadas amostras de leite das semanas 3, 4 e 12. Em nenhuma delas foi detectado o DNA da soja transgênica. Foi concluído que o DNA é destruído ou degradado em fragmentos menores de 180 pares de bases sendo esta grande degradação resultado do processo de digestão das vacas.

Resumo: Victor Augustus Marin – Biólogo, Doutor em Biotecnologia Vegetal e pesquisador visitante do Setor de Biologia Molecular do INCQS/Fiocruz.


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